quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Dança Tribal - Tribal Brasil


Tribal Brasil: Muitas histórias num só gesto 


A utilização de ritmos afrobrasileiros na prática do Tribal tem sido cada vez mais uma constante no Brasil, a exemplo dos grupos Cia Lunay (PB), Kairós (BA), Cia Xamã (RN) e Aquarius Tribal Fusion (PE), e das dançarinas Nadja el Baladi (RJ), Renata Machado e Karla Brasil (SP) que os utilizam em suas expressões artísticas.


A musicalidade forte da percussão nos permite criar combinações belíssimas e com identidade cultural afrobrasileira.


São vários os ritmos e danças que podemos utilizar: samba reggae, caboclinho, Ijexá, maracatu, coco, baião e tantos outros ritmos que valorizam uma apresentação de estilo tribal. A quantidade de danças é tanta que a Cia Lunay possui um programa chamado Cultura em Movimento, onde uma vez por mês um professor convidado ministra uma oficina sobre uma expressão artística diferente. Assim, podemos entrar em contato com a corporeidade de cada dança e conhecer um pouco da nossa história para a partir disso adaptar à linguagem do Tribal. Segue um resumo sobre algumas dessas expressões culturais que temos pesquisado através de textos extraídos de sites e livros. Boa viagem pelo Brasil!


Caboclinho

Caboclinho
São algumas características essenciais do Caboclinho: a dança guerreira, o cunho religioso ligado à boa colheita ou caça, a recitação de versos heróico-nativistas, etc. Tradicionalmente os Caboclinhos têm feito suas apresentações em Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte. Na Paraíba encontramos as Tribos de Índios Carnavalescas que possuem muita semelhança, mas têm suas particularidades. 

Caboclo é a mistura do branco com o índio, caboclinho seria a grosso modo, o filho do caboclo. Portanto, de origem indígena, o Caboclinho é uma das manifestações culturais mais antigas do Brasil. A quem diga que é a mais antiga e já era realizada por essas bandas antes mesmo da chegada dos europeus. Seu registro oficial data de 1584, no livro "Tratado e Terra da Gente do Brasil" do padre Fernão Cardim.


O Caboclinho com o passar do tempo sofreu alguns desfalques, um bom exemplo são as canções. Sendo de origem indígena, suas letras eram passadas de forma oral, ou seja, de pai para filho, já que os índios brasileiros não possuíam escrita. Durante o extermínio promovido pela coroa portuguesa, várias tribos foram extintas e com seu povo morreu também parte do folclore Caboclinho. O pouco que ainda resta é encenado no carnaval e principalmente nas cidades do interior do Estado nas festas de padroeiro(a). Musicalmente no Caboclinho não há nenhuma influência européia. Alguns pesquisadores comparam sua musicalidade com algo oriental, lembrando as canções hindus, árabes e/ou chinesas. Uma característica marcante do ritmo é a forte marcação dos Trupés (pisadas dos pés no chão), que tem como finalidade fazer a base para os outros instrumentos como: surdo, inúbia (flautim de taquara) ou pífano, reco-reco, caracaxá, maracá (tipos de ganzá) e caixa (tarol). O ritmo por ser um ritmo de guerra e a dança representar as batalhas, o Caboclinho se torna muito marcante para quem assiste sua apresentação. A encenação se torna mais real quando os dançarinos em posse das suas preacas (arcos e flechas) criam estalidos durante as coreografias. A dança é tão bem executada que parece fazer os (as) dançarinos(as) flutuem. Tal ilusão de ótica se dá pelo fato da dança ser rápida e do baixar e levantar dos dançarinos (apoiados pela ponta dos pés e calcanhar) é tanta agilidade que parece os dançarinos terem molas nos pés. A indumentária dos brincantes é de uma exuberância sem igual, enfeitados (literalmente) dos pés à cabeça, os homens e as mulheres usam cocares e saias de penas de avestruz, ema e/ou pavão, se adornam também com cabaças na cintura, colares de sementes no pescoço, pulseiras e tornozeleiras bastante coloridas.


Maracatu de Baque Virado (Nação)



Maracatu Estrela Brilhante de PE
O maracatu é um ritmo tradicional do Nordeste do Brasil. Proveniente do continente africano, mais especificamente do Congo nas tribos Nagô, desenvolveu-se no nordeste brasileiro a mais de 300 anos, período em que se instaurou a escravidão. O maracatu é uma mistura de teatro, dança e música. Criado a principio para camuflar os cultos afros (já que eram proibidos pelo rei e pela igreja católica) e para repassar através da estória oral seu passado e sua história. No Brasil hoje há dois tipos de maracatus: Maracatu Nação, ou Maracatu de Baque Virado, e Maracatu Rural, ou Maracatu de Baque Solto. 

No Nação, participam geralmente de trinta a cinquenta brincantes. O maracatu de baque virado consiste numa cerimônia de coroação de rainha e rei, abrindo alas para os mesmos as damas de honra que são acompanhadas pela corte: príncipe e princesa, duque e duquesa, barão e baronesa, sendo composta ainda pelo embaixador, porta estandarte, dama de corte, vassalo, também chamado de porta sombrinha, e damas de passo, conhecidas como Yabás ou baianas. A dama ou as damas de passo carregam consigo a "Calunga" durante o cortejo. Calunga é o nome que se dá a uma boneca que representa as rainhas já falecidas, ou seja, as antepassadas da corte. E por fim, o cortejo é completado com os batuqueiros, músicos encarregados de alegrar e dar ritmo ao desfile. A orquestra do maracatu de baque virado é constituída só de instrumentos de percussão, tais como: gonguê, ganzar, xequerê e maracá que tem como função fazer a marcação do ritmo, as caixas que em suas rufadas vibram vigorosamente e por fim as alfaias que com seu som grave pulsa como trovões dando assim força ao ato festivo.

Maracatu de Baque Solto (Rural)



Muitos confundem maracatu de baque solto com o maracatu de baque virado e alguns até acham que é a mesma coisa, ledo engano, pois há diferenciações gritantes entre eles. Tais diferenças vão desde a história de seu surgimento, a métrica do ritmo e seus instrumentos como também seus personagens. O maracatu de baque solto é criado posteriormente ao maracatu de baque virado. Surge no estado de Pernambuco nos século XIX e XX quando trabalhadores rurais do interior migram para a zona da mata a fim de encontrar trabalho. O maracatu de baque solto sofreu uma mescla de outros folguedos proveniente de todo território pernambucano, tais como pastoril, cavalo marinho, bumba-meu-boi, folia de reis, caboclinho e outros mais. O maracatu rural sofreu influência no que diz respeito a todo o conjunto da obra. Em relação aos instrumentos, o maracatu rural também conhecido como maracatu de orquestra é diferenciado do maracatu nação. A sua orquestra é composta por tarol (ou caixa), surdo, ganzá, chocalhos, cuíca, zabumba, gonguê e a orquestra em si com clarinete, saxofone, trombone e pistom. Outra diferenciação é que no rural o coro é exclusivamente feminino. Tais mudanças instrumentais, ocasionaram uma acelerada no ritmo, se comparado ao maracatu nação, o rural ritmicamente falando é mais rápido, não tendo a marcação lenta que o maracatu de baque virado tem.


O maracatu rural tem como personagens o rei, a rainha, a porta bandeira também chamada de baliza, a dama do passo, o Mateus, a Catirina, a burra e o caçador, as portas-buquê, as baianas, a boneca Aurora, os caboclos de pena que não usam lança e sim machado, também chamados Tuxau ou Arreimá, carregam na cabeça um grande cocar de penas, na maioria das vezes de pavão, como no maracatu nação também há o vassalo ou "menino da sombrinha" e por fim o personagem principal: o caboclo de lança. O caboclo de lança é o guerreiro de Ogum, dá vida e alma ao folguedo. Formado por trabalhadores rurais que durante a brincadeira trocam suas enxadas e foices por lanças de madeira adornadas com fitas coloridas e seus chapéus de palha por volumosos, coloridos e exuberantes capacetes. Durante todo o ano economizam um pouco mais a fim de confeccionar seus mantos de cores tão psicodélicas quanto às do capacete. Os mantos representam a armadura na encenação da batalha, alguns também usam grandes óculos e um cravo branco na boca.


No maracatu de baque solto não há cortejo real, quem comanda a brincadeira é o apito e/ou a bengala do mestre que orienta a movimentação do maracatu. O mestre também é responsável pela cantoria das toadas. A dança é realizada em dois círculos, um dentro do outro. Os caboclos de lança correm pelo círculo de fora encenando a batalha e golpeando suas lanças para cima e para baixo, para um lado e para o outro, segurando-a firme com as duas mãos, enquanto correm carregam uns chocalhos nas costas dando a marcação acelerada do maracatu rural. Enquanto isso no círculo interior dançam as damas de buquê e baianas onde podemos observar ao centro da roda os caboclos de pena, a boneca e o estandarte.


Coco

Grupo paraibano Imburana dançando coco de roda
Alguns defendem a idéia de que o Coco surgiu a princípio nos engenhos interioranos e só depois chega ao litoral. Outros acreditam que seu surgimento se dá na própria região do litoral. Entretanto há uma terceira hipótese. Nela, acredita-se que o Coco já teria vindo do continente africano, através das tribos de origem Banto, habitantes da região hoje conhecida por Congo e Angola). 

Não só a origem como também a diversidade rítmica do Coco são multifacetadas, dependendo da região o Coco sofre alterações rítmicas como também mudança no que diz respeito à nomenclatura e até mesmo nos instrumentos usados. Ou seja, no Coco há várias versões e inúmeras maneiras de executá-lo. A exemplo podemos citar as variações: Rítmicas – Coco de Ganzá, Coco de Zambê e Coco de Mungonguê. Métrica dos versos – Coco Agalopado, Coco de Sétima e Coco de Embolada. Dependendo do local também recebe vários nomes: Coco de Roda, Coco do Sertão, Coco de Praia, Catolé, Toré, De Umbigada, de Desafio, etc. Apesar das variações nos quesitos métrica, ritmo e espaço geográfico, o ritmo não sofre consideráveis alterações ao ponto de não conseguirmos decifrar a música tocada, pois quando se vê uma roda de Coco é impossível não saber que ritmo tão peculiar é aquele.


Dentre as principais influencias estão a africana e a indígena. Do lado africano temos o ritmo propriamente dito, os tambores e chocalhos tocados em 2/2 e/ou 2/4 e cantados na forma refrão-estrofe. Na influencia indígena, temos a questão estética do grupo, ou seja, a maneira que os participantes se posicionam, que é em fileira ou em forma de roda.


Nas teorias lançadas para tentar explicar a origem do Coco, há exemplos e argumentos bem elaborados e sucintos. Um desses diz que o Coco é originário do quilombo dos Palmares. Os ex-escravos alojados no quilombo usavam o coco para auto-sustentação e o quebravam a fim não só de extrair sua água e polpa, como também esculpir ou moldar utensílios domésticos, tais como colheres, conchas, pratos, ponta de lanças, esculturas, etc. Durante o trabalho de quebrar o fruto, cantarolavam e alguns até dançavam. Há uma teoria do interior que diz que o Coco surgiu a partir do momento em que trabalhadores se juntam em mutirões para bater o barro dos pisos das casas, pois, naquela época era comum entre a população mais carente, casas de piso de barro batido. De uma forma ou de outra, podemos concluir que o Coco surgiu do povo, ou seja, é uma dança popular. Com o tempo foi ganhando mais adeptos e seu período áureo se deu no começo dos anos 50 até o final dos 60, nessa época o Coco chegou a ser dançado em salões por pessoas de maior porte econômico. Após os anos 60 o Baião e o Samba ganharam maior notoriedade e o Coco consequentemente perdeu espaço no cenário popular nacional.


O Coco pode ser dançado por homens e mulheres e em qualquer época do ano, ou seja, não há época especifica para se dançar Coco, porém há uma tradição maior no período junino.


Geralmente o Coco é cantado por um mestre ou mestra coquista. Ao começar os versos, o (a) coqueiro (a) é respondido pelo coro, demais integrantes da roda de Coco. Os versos podem ser já conhecidos ou de improviso como no Coco de Embolada. Os instrumentos, independente da nomenclatura do Coco, são praticamente os mesmos: Triangulo, Ganzá, Surdo, Zambê, Zabumba, Caracaxá, Mongonguê, Cuíca, Alfaia, Pandeiro, e, o instrumento mais importante de todos, os Tamancos! São as sandálias de madeira e couro que dão autenticidade e legitimidade ao ritmo. Os tamancos dos (as) dançarinos (as) juntamente com as palmas fazem a marcação rítmica do Coco. A batida principal são três marcações fortes com o pé direito e uma mais fraca com o pé esquerdo, dependendo do Coco, as marcações são outras. Existem marcações mais rápidas e outras mais lentas.


Samba Reggae


Gênero criado pelos blocos afro-carnavalescos de Salvador- Bahia, nos anos 1980. Este estilo percussivo se caracteriza, em termos conceituais, pela apologia ao negro e, musicalmente, pela recriação de sonoridades afro-americanas. Sua estética mestiça conecta diversos elementos culturais elaborados na rede atlântica que originou e abrigou a diáspora negra. 


A primeira fonte do samba-reggae é a própria história musical baiana; os ritmos sagrados do candomblé e as expressões musicais profanas das culturas populares que se consolidaram nos carnavais da Bahia como resultado de mesclas tecidas entre o candomblé e os sambas urbanos.


Outra referência fundamental é a África que sempre representou para os negros baianos um celeiro de inspiração e informação permanente e próximo. O intercâmbio com os países africanos foi fundamental não somente para ampliar a informação musical dos grupos negros, que conceberam o gênero, mas também para o delineamento das diversas áfricas que alimentam o imaginário dos blocos afro no Brasil.


Outra fonte é o Caribe. Salvador se abriu para a música cubana desde os anos 50 e sua estética influenciou significativamente os percussionistas locais. A partir dos anos 70, a maior cidade negra da América Latina aderiu ao reggae como principal veículo de comunicação da diáspora. Ídolos como Bob Marley, signos e posturas jamaicanas passam a ser intercambiáveis. O próprio nome do ritmo é claro indício de hibridismo cultural.



Mas, para compreender a criação do samba-reggae é preciso ainda ir aos EUA da soul music, de James Brown, dos Jackson Five, dos slogans do black power que celebram o orgulho étnico e inspiram um modelo negro de imagem. A luta por um melhor posicionamento dos negros na sociedade americana não passou despercebida a blocos afro como Ilê Ayiê, Olodum, Ara Ketu, Muzenza, Male Debalê, entre outros nomes do movimento musical afro-baiano. O samba-reggae está pautado tanto na tradição percussiva brasileira quanto nas referências transnacionais que chegam através das mídias e contatos culturais que conectam a rede atlântica. Além disso, o gênero é um belo exemplo das formas estético-comportamentais híbridas/sincréticas que se modelam e circulam no "Atlântico Negro".




Danças Brasileiras no Youtube:


Maracatu Nação: http://www.youtube.com/watch?v=21eodVhdv4E

http://www.youtube.com/watch?v=3uZlIET-lKQ


Maracatu Rural: http://www.youtube.com/watch?v=YadbHxXOhFE 

Coco: http://www.youtube.com/watch?v=r1mPRd3hTjg

http://www.youtube.com/watch?v=FQhax62dnfk

http://www.youtube.com/watch?v=ZpGn8_LlitQ


Caboclinho: http://www.youtube.com/watch?v=gOQfPtH4JII 

Samba reggae: http://www.youtube.com/watch?v=xQhEbaGQZuQ




Tribal Brasil no youtube:


Cia Lunay: http://www.youtube.com/watch?v=1b5TcBDesz4

Kilma Farias: http://www.youtube.com/watch?v=6A3ygLVCfbo

Cia Halim: http://www.youtube.com/watch?v=KI7OSY6IF6k

Cia Xamã: http://www.youtube.com/watch?v=hmvfofNDeD0

Kairós: http://www.youtube.com/watch?v=kzxDrRXbQTI

Nadja: http://www.youtube.com/watch?v=Pn1EpnqYwyA



Cia Lunay

Kilma Farias com Bela Saffe no Spirit of The Tribes, dançando Tribal Brasil 

Cia Xamã

kilmita@gmail.com

Twitter: @Kilmafarias

Kilma Farias


FONTE:

Nefertiti, a sua loja de Dança do Ventre
Rio de Janeiro / RJ
Tels.: (21) 3259-2478 / 7102-6641
MSN: lucydeso@hotmail.com


Obs.: Não temos endereço comercial físico para atendimento a clientes.

4 comentários:

  1. Muito interessante, mana! E aí, será que vai ter uma fusão tribal com danças gaúchas? ... beijos

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  2. Poxa, muito legal a sua iniciativa de copiar o texto de nosso site e dar os créditos a Kilma e ao site. Muuuito obrigada!!! Não sou bailarina de Tribal, mas acho que, assim como a Dança do Ventre (que adoro!!!) deve ser divulgada e muito apoiada. Beijos, Luciana Nogueira.

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  3. Oi maninha!!! Interessante né? AMO muito tudo isso... hehehehhe... sou super fã da Kilma... :P

    Enfim... sobre fusão com danças gaúchas... tuuudo de bom! hehehehe... quem sabe...? seria o máximo né? ;) beijocas

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  4. LUCIANAAA!!! MIL OBRIGADAS PELO TEU COMENTÁRIO!!!! \O/ Eu até tenho que pedir desculpas por não ter pedido tua autorização antes, pois geralmente peço antes... MAS É CLAAARO que daria todos os créditos pro teu site e pra Kilma! Sou da filosofia de que o que é bom DEVE ser compartilhado... heheheheh... ;)e "trabalhar" em parceria, com união pra mim é super importante... enfim... se quiseres algo do meu humilde blog tbm, fica super à vontade, viu? acho que a troca sempre acrescenta... ;)
    super beijo!

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